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Repulsa pelo reflexo e um desejo sem fim por uma cirurgia plástica. Uma que pudesse corrigir todas as cicatrizes que carrego durante todos estes anos fugindo do espelho. Uma que além de sugar a gordura, levasse consigo toda a tristeza pela insatisfação com meu corpo. Tenho uma admiração profunda por todos aqueles que conseguem se sentir confortáveis em seus próprios corpos.

Uso roupas largas porque tenho vergonha do que há por baixo. Muitos dizem que sou magra. Muitos dizem que dei “uma engordadinha, né?”. Outros me idealizam como alguém confiante, mas eu não sou. Quando saio sem maquiagem, escondo-me de conhecidos nos corredores da faculdade. Quando como demais, não saio de casa. Sinto vergonha de quem sou e de como deixo que tudo isso controle minha vida. Não tiro a roupa quando estou de estômago cheio. Toda vez que como eu me arrependo. Toda vez.

Ao contrário de muitos, não culpo os antigos colegas de classe que um dia me chamaram de gorda. Também não culpo a sociedade pelos padrões impostos. Não culpo as revistas, a publicidade e muito menos minha mãe que durante muitos anos me pressionou para perder peso. A única culpada sou eu. Eu não consigo me desvencilhar desta maldita doença. Eu tenho a necessidade de ser perfeita o tempo inteiro. As selfies não são para provas para os outros como sou bonita, mas provar para mim mesma que posso sim ser bonita… mesmo que seja em apenas um ângulo.

Sou covarde. Tenho medo de ser quem eu realmente sou, medo de descobrir a verdade e de o amor próprio ser um caminho sem volta. E se eu começo a me amar? E se eu começo a gostar das minhas pernas grossas, do meu rosto redondo e até mesmo das minhas olheiras. Já pensou se eu começo a aceitar a flacidez dos meus braços e finalmente perco a vergonha de usar regata? Não. Eu odeio usar regatas justas, calças jeans e nada sou sem uma roupa que esconda meu quadril.

Não há problema nenhum em mudar. Não há problema nenhum em querer ser magra, gorda, loira, morena e até mesmo ter o cabelo com as cores do arco-iris. Não há problema nenhum em ser o que você sonha em ser. Seja você. Seja a melhor versão de você que consegue imaginar, aquela que sempre idealiza antes de dormir, a mais utópica. Vergonha e ter medo de mudar porque não quer se encaixar nos padrões. E se sair do padrão for entrar nele?

 

Este é um desabafo. Pode ser que o texto acabe não fazendo muito sentido, mas gostaria de compartilhar um pouquinho do que estou sentindo neste momento.

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2 pensamentos sobre “

  1. So posso definir o que estou sentindo numa palavra: Nossa! Nunca imaginei que alguem passasse pelas mesmas coisas que eu passo, sobre as vezes comer demais e não querer sair de casa ou não consegui acreditar quando dizem que eu já sou magra. Sei que não da pra ajudar com palavras, mas vai por mim, a solução é tentar se aceitar e se amar aos poucos todos os dias.

  2. Adorei teu texto,e acho que talvez na maioria do tempo, a nossa busca não seja nem pela perfeição,mas sim por ‘estar se sentindo bem’. Sentar sem ver a barriga caindo no shorts,usar uma blusa e não ver seu braço gordo, suas bochechas saindo mais que seu sorriso nas fotos, enfim. Sentir-se bem consigo próprio. Acho que essa deve ser a sua busca, moça, e não se preocupar com padrões, pessoas…. 😉

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