e no fim

 

Caro Estranho,

Fique tranquilo, vai passar. Meu dia também não foi bom, fiquei pensando em tudo que estava deixando passar por medo e todos os sentimentos que venho engolindo nos últimos tempos. Não é fácil, né? Quando a gente vê se tornou amargurado, fechado em um casulo e se identifica mais com um velho ranzinza do que com uma criança curiosa. O que a gente faz com nós mesmos? Me pergunto todos os dias.

Mas calma! Pode ter certeza, toda esta angústia um dia vai se dissolver. Um dia você vai acordar e todo este peso das costas não vai estar ali e você por alguns instantes até sentirá falta do que carregara por tanto tempo. Vai perceber que o que faltava era trocar o olhar e não de ares. Eu sei, eu sei. Você só quer sair por aí sem rumo porque não aguenta mais… o seu trabalho? os amigos? ou simplesmente não aguenta mais a si mesmo? Sim, eu sei. Não é fácil carregar consigo o peso de ser adulto. Eu também estou odiando crescer. E tudo que eu queria era ser “gente grande”…

No meio de tudo isto eu me perdi várias vezes. Você também teve esta sensação? Mas sabe, foi bom. Eu também me encontrei várias vezes. Descobri dentro de mim tantas versões que poderia compor um elenco de novela. É, algumas coisas perderam a graça, eu confesso. Deixei de ver com olhos calorosos coisas que antes pareciam tão essenciais. Ah, que ilusão essa vida é, não é mesmo? No momento tudo tem a certeza da infinitude, depois a gente vai vendo que as coisas não são bem assim e quando nos damos conta só torcemos para que elas durem pelo menos um mês.

Mas vamos ao que interessa: Quem você quer ser?

Quero ser luz. Quero ajudar nos caminhos. Trazer claridade pra quem esta perdido no escuro, mas também quero que me tragam um pouco de luminosidade em dias nublados. Quer ser a mão amiga para um desconhecido. Ser força quando não aguento mais, ser diferença quando tudo parece igual.

Eu quero é ser casa de sentimento. Ser quem grita que ama sem medo. Que é amigo do padeiro, açougueiro, do tio da locadora. Quero ser nua quando todos tem medo despir-se em sentimentos.

 

Mas amigo, fica tranquilo. Vai passar. Eu sei que vai. Aqui, depois deste texto, até passou um pouquinho. Então, pode ter certeza, aí também vai.

 

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texto encontrado em um caderno qualquer

Eu poderia escrever sobre nossos longos beijos. Descrever como sinto cada parte minha estremecer. A vida dá destas, não é? Coloca em nossas vidas, quando a  gente menos espera, alguém para bagunçar. Daí bagunça o que a gente já não aguentava mais tão arrumadinho. Agita aquele coração que já não aguentava bater no mesmo ritmo.

Eu poderia escrever sobre o que seus olhos dizem. E em como eles te entregam. Eles dizem sobre bem mais do que você mesmo sabe. Eles dizem tanto que você não precisa pronunciar uma palavra.

Eu poderia escrever sobre as nossas longas despedidas. Sobre os beijos que poderiam durar um dia todo. Sobre minha memória armazenando seu perfume. Suas mãos que convencem meu corpo a ficar um pouco mais. Sobre nosso silêncio e como ele não incomoda. E como ele significa tão além do que qualquer palavra que poderia ser dita.

Esse texto é pra você. E ele é sobre sobre como eu por mais que tente, não consigo decifrar o que há entre nossos beijos e toques. Tudo se torna confuso e quando me vejo já estou perdida em meio à várias questões que eu sei que só o tempo irá me dizer.

Viva comigo. Não te peço nada além de uma aventura. Ainda virão mais textos.

Talvez um agora.
Talvez não.

Seja de hoje ou de outra vida,
vamos viver?

essa é pra voce

 

 

E pra todas as vezes que eu não disse o que eu sentia.

Gosto da praticidade que a gente se encaixa, gosto do meu riso frouxo contigo e gosto de como me apaixonei fácil por quem você é. Gosto do toque das nossas mãos entrelaçadas e do calor da sua respiração enquanto dorme junto à mim.

Gosto de ver você dormir e de como acorda com qualquer movimento que eu faça. Gosto de todas as palavras que você inventa e todas as manhãs que você me acordou com beijos.

Gosto de deitar no seu peito e sentir sua respiração no meu pescoço. Gosto de quando me olha nos olhos e como consigo enxergar sua alma. Gosto da sua risada sincera e de quando toca violão.

Gosto das madrugadas em claro nos teus braços. Acredite, gosto de você chapado. Gosto de você bêbado. Gosto de você preocupado. Gosto dormindo. Acordado. Comigo. Longe. Perto. Gosto tanto que as vezes acho que não gosto.

Sinto que poderia escrever a noite inteira sobre o que ainda quero viver com você. Sobre como quero as árvores florescendo na primavera e as folhas caindo no outono ao seu lado. E em como quero te levar aos meus lugares favoritos.

Mas meu bem, entenda, nesta eu não posso ir sozinha. Sem você, o nós fica apenas eu. E tudo que eu já disse vira um amontoado de palavras que perdem o sentido.

Parafraseando Cazuza, eu quero a sorte de um amor tranquilo. Com sabor de calmaria, por favor.

Quero a sorte de alguém que passe uma noite em claro ao meu lado conversando sobre qualquer assunto. Quero a sorte de alguém que queira estar comigo e que não esteja somente a procura de um colo para deitar quando lhe convém. Quero alguém por inteiro. De metades, meu coração está cheio. São muitos aqueles que vieram e não ficaram, deixaram partes de si que nunca voltarão a buscar. Quero entrega. E quero certezas, minha vida já é demais confusa para mais uma mente sem rumo entrar nela.

Quero você.

If you feel what I feel, please let me know if it’s real. 

asim

Sou assim mesmo. Intensa, explosiva, não sinto pela metade. Não me venha com meio-termos, quero tudo por inteiro. Não sei me dividir. Não sei ponderar, esperar por respostas. Preciso resolver tudo. Agora. Ou é agora, ou não é mais. É simples.

Não me venha com desculpas. Não existem meias verdades, meios amores e meias certezas. Ou você quer, ou não quer. Ouça mais o que seu coração diz. Esqueça a razão. Para entrar nesta você precisa se entregar. Precisa ceder e deixar o orgulho de lado. Esqueça os pudores. Vale tudo desde que você sinta com cada parte do seu corpo. Me xinga. Me ama. Mas que seja verdadeiro.

Só me procure se quiser viver. Não venha com palavras, guarde a para si, meus ouvidos já estão cheios de promessas. Tenho pouco tempo e não posso ficar perdendo-o com gente covarde. Me conquista aquele que tem coragem de entrar de cabeça no desconhecido.

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blogpzz

 

Estou aqui porque simplesmente preciso escrever. Não que eu queira escrever um texto digno de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, mas quero pelo menos expressar o que sinto – o que considero tão difícil quanto.

Gosto de escrever porque através destas palavrinhas consigo exteriorizar o que sinto e de certa maneira conseguir entende-las. Por muito tempo acreditei que gostava de escrever, mas na verdade, eu gostava era de mostrar meus sentimentos. Escrever me causava a mesma sensação que tirar o foto com um sorriso sincero ou declarar-me para alguém. Expor o que sinto é o que mais me causa prazer. Dizer, com o coração aberto, que amo tal coisa e que odeio outra me faz sentir plenamente verdadeira.

Gosto de falar porque posso simplesmente desligar o filtro entre minha mente e minha boca e despejar todo meu coração em palavras que irei me arrepender em questão de segundos. Porém, sei que estou sendo verdadeira, minha mente esta tranquila por não usar mascaras. Sou simplesmente eu falando o que penso sem medo de decepcionar ninguém.

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sobre expo

anarusycki-55
Ouvi dizer que jornalista não pode usar decote, que ela perde seriedade se usar uma roupa curta e que nenhuma empresa vai querer contratá-la. Ouvi dizer que a mulher tem que se dar o valor porque homem algum terá curiosidade de ir para cama com ela se ela já mostrou o corpo de graça.

Ouvi também que sou saidinha, vadia, que não presto e que vou para cama com qualquer um. Por quê? Porque não tenho vergonha do meu corpo, porque não vejo problema em exibi-lo e acredito que a sexualidade vai bem além da nudez.

Larguei mão.
Não dá para ficar se preocupando tamanha besteira – que de grande não tem nada. É perda de tempo e de vida. Dói quando você para e percebe que muito já se foi e tantos pedaços de você foram para o lixo pelo medo de ser quem realmente é. Então, no dia que você perceber que são só opiniões, palavras de ódio jogadas no vento, as coisas irão mudar; eu te prometo.

Abaixo ao medo!
Mostre-se sem receio, com todo o orgulho do mundo e se puder ainda bata no peito e diga: “Esta sou e você não tem direito algum sobre mim”. Será libertador. Todo mundo deveria ter o direito de experimentar um dia sem as amarras que a gente impõe para nós mesmos. Você é o que você quer ser ou o que fizeram você ser?

Sou livre.
Sou dona do meu corpo e mesmo com todas as imperfeições eu o amo. Não tem porque ter medo deste – falso – moralismo que só espalha discórdia ao invés de consertar nossa sociedade.  Não, nossas saias curtas não são convites para absolutamente nada. E o que elas significam? Que eu tenho segurança com meu corpo e de que não tenho vergonha de mostra-lo. Alguns centímetros de pele jamais mudarão o caráter de alguém. Puta? Profissão, jamais adjetivo.

Seu corpo, sua escolha. Não tenha vergonha. Não esconda.

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